Plástico no mar x Saúde ambiental e dos animais

O lixo urbano cresce desenfreadamente, superando 3,5 milhões de toneladas por dia em 2010 e 6 milhões em 2025. A estimativa é superar a marca dos 8 milhões de toneladas de lixo por dia em 2050, um crescimento absurdo, de mais de 100%, quando a população deve crescer “apenas” 40% no mesmo período (de 7 bilhões em 2012 para 9,8 bilhões em 2050, segundo a última Revisão da Population Prospects, da ONU).
Além disso, um artigo publicado no The Guardian fornece novos dados sobre o problema. A indústria mundial produz hoje quase 20 mil garrafas PET (polietileno tereftalato) por segundo, ou um milhão delas por minuto. Em 2016, quase quinhentos bilhões foram produzidas no mundo todo, sendo a Coca-Cola responsável por um quinto delas. Isso significa um aumento de quase 200 bilhões de garrafas em relação à produção de 2004. E a estimativa de um relatório sobre as tendências das embalagens proposta pelo Euromonitor International é de que se produzam 583,3 bilhões dessas garrafas em 2021.
Dessa forma, podemos perceber o quanto é preocupante o nosso consumo de plásticos. A nossa produção de lixo é altíssima. E boa parte desse resíduo descartado por nós, são jogados nos oceanos todos os anos e apresentam grande capacidade de dispersão por ondas, correntes e ventos.


LIXO NOS OCEANOS

Você sabe o quanto desse lixo plástico descartado por nós vai parar no mar? Segundo um estudo de 2015, Stemming the Tide, há hoje mais de 150 milhões de toneladas de plástico no oceano. O estudo complementa: “32% das embalagens plásticas escapam dos sistemas de coleta” e 95% do seu valor (80 – 120 bilhões de dólares por ano).
A mais precisa quantificação disponível sobre a quantidade de plástico lançado ao mar a partir da terra (sem contar o lixo plástico descartado pelas embarcações) é oferecida por um estudo publicado na Science em 2015. Seus autores calculam que 275 milhões de toneladas de lixo plástico foram geradas em 192 países banhados pelo mar em 2010, sendo que 4,8 milhões a 12,7 milhões de toneladas (média de 8,75 milhões de toneladas) acabaram entrando nos oceanos, apenas nesse ano. Ou seja, isso significa jogar no oceano um caminhão de lixo por minuto. Uma quantidade assustadora, com tendência a crescer se não houver o aperfeiçoamentos na infraestrutura de manejo de resíduos e uma maior consciência dos nossos atos em relação a utilização exagerada dos plásticos.
Desde 1997, graças a Charles Moore, diretor da Fundação de Pesquisas Marinhas Algalita, conhecemos a “Grande Mancha de Lixo do Pacífico”, localizada entre o Havaí e a Califórnia, composta predominantemente de plástico. Segundo uma avaliação recente, o núcleo dessa mancha estende-se por 1 milhão de km2 e sua periferia, por 3,5 milhões de km2. Objetos e fragmentos maiores de plástico, como redes e outros objetos, têm matado os animais que nele se enredam.
Embora o plástico demore em média 450 anos para se degradar, a ação do sol, do vento e das ondas o decompõe em partículas cada vez menores, até transformá-lo numa sopa de micro-plásticos (<4,7 mm). Estes mantêm integralmente sua toxicidade, absorvem outros poluentes químicos e, ingeridos pelos peixes e outros animais, têm efeitos subletais ou mesmo letais em
toda a cadeia alimentar marinha. Todo ano, afirma um artigo e um vídeo da NationalGeographic,
cerca de cem mil peixes, tartarugas, mamíferos e aves marinhas morrem em decorrência da
ingestão de partículas de plástico.


POR QUE É PREJUDICIAL À VIDA MARINHA?

Para aves marinhas e animais de maior porte, como tartarugas, golfinhos e focas, o perigo pode
estar nas sacolas de plástico, nas quais acabam ficando presos. Esses animais também
costumam confundir o plástico com comida. Tartarugas não conseguem diferenciar, por
exemplo, uma sacola de uma água-viva. Uma vez ingeridas, as sacolas de plástico podem causar
obstrução interna e levar o animal à morte.
Pedaços maiores de plástico também causam danos ao sistema digestivo de aves e baleias e são
potencialmente fatais. Com o tempo, os resíduos de plástico são degradados, dividindo-se em
pequenos fragmentos. O processo, que é lento, também preocupa os cientistas. Uma pesquisa
da Universidade de Plymouth, na Inglaterra, mostrou que resíduos de plástico foram
encontrados em um terço dos peixes capturados no Reino Unido, entre eles o bacalhau.
Além de resultar em desnutrição e fome para os peixes, os pesquisadores dizem que, ao
consumir frutos do mar, os seres humanos podem estar se alimentando, por tabela, de
fragmentos de plástico. E os efeitos disso ainda são desconhecidos. Em 2016, a Autoridade
Europeia de Segurança Alimentar alertou para o crescente risco à saúde humana, dada a
possibilidade de micropartículas de plástico estarem presentes nos tecidos dos peixes
comercializados.
Por isso, é necessário ficarmos atentos as nossas atitudes e analisar o quanto contribuímos para
a formação desse cenário. O plástico que consumimos hoje, leva 450 anos para sumir e contribui
com a morte de animais e a degradação do meio ambiente.


Fonte: Unicamp; Uol- Ciência e Saúde.

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