Perigo do bisfenol A

O Bisfenol-A (BPA) é um composto utilizado para a fabricação de policarbonato, um tipo de plástico rígido e transparente utilizado em vários tipos de utensílios. Ele normalmente é encontrado em potes de plástico, embalagens plásticas para alimentos, garrafas de água reutilizáveis, além de revestimento interno nos enlatados. Embora este tipo de produto pareça inofensivo, o BPA é nocivo à saúde.

Esse composto compostos químico interfere no funcionamento dos hormônios humanos e de animais, prejudicando funções importantes para o organismo, como metabolismo energético, imunidade, desenvolvimento neurológico e sexual.

Em experimentos com ratos, o grupo da Unifesp observou que, mesmo em doses bem inferiores às consideradas seguras pelas agências reguladoras, o conhecido disruptor endócrino – o bisfenol– pode alterar a regulação dos hormônios tireoidianos se a exposição ocorrer durante o período da gestação e do aleitamento ou durante a puberdade.

Os resultados do trabalho, realizado com apoio da FAPESP, foram apresentados por Maria Izabel Chiamolera na 32ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Campos do Jordão.

“Estudos recentes sugerem que, no caso dos desreguladores endócrinos, nem sempre a dose mais baixa é a mais segura, pois ela pode passar despercebida pelos mecanismos de defesa das células. Por outro lado, a janela de exposição parece realmente fazer diferença, sendo mais críticas as fases de desenvolvimento embrionário e aleitamento, bem como a puberdade, quando há grandes alterações hormonais ocorrendo no organismo”, explicou Chiamolera.

Na avaliação da pesquisadora, as decisões dos órgãos que regulam o uso dessa substância deve passar a considerar também os princípios da endocrinologia – não apenas os da toxicologia. Os experimentos com ratos que baseiam essa afirmação foram realizados em parceria com pesquisadores da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) interessados em estudar os efeitos dessa substância.

O estudo foi testado em ratos, o efeito da exposição ao bisfenol A, composto presente na formulação de plásticos duros do tipo policarbonato e que pode ser transferido para os alimentos caso ocorra mudança brusca na temperatura (aquecimento ou congelamento).

Ratos machos foram expostos a um décimo da dose considerada segura durante a fase da puberdade (23º a 58º dia de vida) e avaliados com 108 dias de vida. O grupo da Unifesp observou no sangue desses animais elevação do hormônio tireoestimulante (TSH), que é secretado na hipófise, cai na corrente sanguínea e estimula na tireoide a secreção dos hormônios T3 e T4. Observaram ainda, em amostras de sangue, diminuição no nível de T4 e um aumento em T3.

“É um padrão estranho, pois, normalmente, T3 e T4 ou estão ambos aumentados ou diminuídos. É um perfil hormonal que lembra o de pessoas com mutação no gene que codifica a proteína transportadora MCT8. E esses pacientes têm alterações neurológicas graves”, contou Chiamolera.

Já no modelo perinatal – em que a exposição ocorreu na mesma janela que no experimento com glifosato e com doses de bisfenol A ainda mais baixas que no modelo peribuberal – foi observada na prole adulta redução no nível de TSH e aumento nos níveis de T3 e T4 no sangue – um padrão hormonal semelhante ao do hipertireoidismo.

“As análises de expressão gênica e de metabólitos foram compatíveis com as alterações hormonais observadas no sangue: lembram o hipotireoidismo no modelo peribuberal e o hipertireoidismo no modelo perinatal”, disse Chiamolera.

O grupo do Paraná notou alterações nos espermatozoides nos ratos expostos ao bisfenol A na puberdade, bem como alterações similares às observadas em pessoas com hipogonadismo – condição em que as gônadas não produzem quantidades adequadas de hormônios sexuais. Portadores dessa disfunção apresentam redução da libido, prejuízos na fertilidade, perda de massa muscular e ganho de massa gorda, entre outros sintomas.

Fontes: Pensamento Verde; Funverde.

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